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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

PONTOS DE CULTURA

Levante dos Pontos de Cultura!
Em busca da gestão compartilhadae avanços na construção coletiva de uma política inovadora.UMA AÇÃO DA FRENTE NACIONAL DE PONTOS DE CULTURA,PUXADA PELA FRENTE ESTADUAL PAULISTA DE PONTOS DE CULTURA.A Comissão Paulista dos Pontos de Cultura,em reunião realizada na Teia Regional de Ribeirão Preto,em 30 de janeiro de 2011, reconheceu que há um MOVIMENTOdos Pontos de Cultura constituído sem partidos, sem heróis ou mártires,pautado na livre associação de pessoas de comum interesses; e,dentro da relação dos Pontos de Cultura com o estado,entendeu a sua responsabilidade, buscando agora apresentarde forma clara suas demandas.Deliberando, portanto, a data de 22 de fevereiro de 2011como um levante do Movimento de Pontos de Cultura do Estado de SÃO PAULO:“Em direção ao diálogo e à construção da gestão compartilhadacom o MinC, iremos à Brasilía esperançosos de nos encontrarmoscom a ministra da Cultura, Sra. Ana de Hollanda,a fim de dialogarmos sobre as demandas referentes ao programa Cultura Vivae seus desdobramentos".Na mesma data, também deliberou-se que,muito embora esta iniciativa seja uma decisão do coletivo de Pontos de Culturado estado de São Paulo, é tarefa deste, unido a outros coletivosque integram a Rede transversal de trocas desse Movimento Social,fazer saber e convidar o maior número possível de ponteir@s, artistas, ativistase gestores culturais envolvidos (DIRETA E INDIRETAMENTE)no programa Cultura Viva, sejam eles oriundosde qualquer outro estado federativo.São muito bem vindas todas as delegações que decidam unirem-se a nósem Brasília no dia 22 de fevereiro.A proposta deste encontro com o Ministério,surge da clara compreensão de que o Programa Cultura Vivatranscende questões financeiro-orçamentárias e/ou processos políticosde tomada de decisões à respeito das políticas culturais do paíspor parte do Ministério. O que realmente buscamos éa criação de relações transparentes e diretas, nas quais o respeito mútuoseja a tônica. Assim, a gestão compartilhada e demais princípiosdo Programa Cultura Viva, constituem a principal pauta.Desejamos que este Programa seja uma política de estado,devendo abraçar demandas de seus beneficiados, membros da sociedade civil,independentemente de inclinações partidárias e ideológicas.Nosso compromisso é com a cultura, a realidade de quem a faze seus resultados, em todos os aspectos, que abrangem a amplitudedo significado da palavra "cultura", remetendo ao educacional,à conscientização e à promoção do desenvolvimento socialpautado nas liberdades e direitos individuais e coletivos.Esse é o trabalho constante de todos aqueles que concretizamdiariamente o Programa Cultura Viva.Reconhecendo-se como instrumento de comunicação compartilhadae instrumentalização, a Comissão Paulista busca legitimar a participaçãodos pontos nos processos de construção e elaboração depolíticas públicas culturais, desde elaboração de editais,até a discussão de como melhor gerir os recursos destinados à todosos projetos abraçados pelo Programa Cultura Viva.Sendo eles: Pontinhos, Pontos e Pontões de Cultura, Pontos de Mídia Livree de Leitura, além das Redes de Pontos de Cultura Municipais e Estaduais.Como atividade de manifestação complementar e concomitante,sugerimos que os ponteir@s que contemplam todo o territorio nacionale que não puderem ir a Brasília manifestem-se, no mesmo dia 22,em suas respectivas regionais do Ministério da Cultura,da mesma forma que a comissão Paulista de Pontos de Cultura irámanifestar-se na regional do Ministério da Cultura em São Paulo.Como manifestação reivindicatória, realizaremos esta "ocupação"pacífica ficando exposta a sugestão e aberto o convite para quetodos os Estados assim também procedam,caracterizando-se uma ação articulada, conjunta e firme dos Pontos de Culturaem relação à atual situação de desconforto gerada pela situação deincerteza que passa o Programa Cultura Viva.Não vamos abrir mão do processo de conquista de direitos neste,que é o primeiro e maior Movimento dos Pontos de Cultura de São Paulo,em busca do acesso ao diálogo com o poder público,na garantia da sustentabilidade e desenvolvimento de projetos quesão os reais promotores da cultura popular, das mídias livres,de atividades culturais descentralizadas, que são feitas de tradições,representações múltiplas e de riqueza inestimável.Da sensibilidade, da vivência e da força que cada indivíduo temdentro de sua forma de expressão! Seja ela a dança, o teatro, a música,o audiovisual, a palavra ou a educação via formação propriamente dita!Vamos tocar nossos tambores, fazer um carnaval,manifestar além de nossas reivindicações. Vamos promover tambémnossas culturas, pois o intuito é também garantir manifestação,mobilização e visibilidade.Nossa arte não imita a vida, é arte viva.Assim como é VIVA nossa CULTURA, pulsando em cada um de nós!Vamos tod@s ao MinC em Brasília e nas Regionaisdistribuídas nos estados no dia 22 de fevereiro.O Programa Cultura Viva merece essa atitude de defesaaos seus princípios básicos e isso já é muito além do que tornaro Cultura Viva uma política de Estado,é tornar o Cultura Viva uma política do Povo.Afinal, que Estado queremos? Queremos um Estado que dialogue conosco,reconheça nossa potência e se disponha a investir para que ela se efetive.FRENTE ESTADUAL PAULISTA DE PONTOS DE CULTURA.

NOTICIA IMPORTANTE

Fim do projeto que cessa a censura às biografias
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110205/not_imp675473,0.php Jotabê Medeiros - O Estado de S.Paulo Grande esperança dos biógrafos processados desse país, foi sepultado na Câmara dos Deputados no último dia 31 o Projeto de Lei n.º 3378/2008, proposto há dois anos pelo então deputado Antonio Palocci (hoje ministro da Casa Civil da Presidência). O projeto visava a uma ementa ao artigo 20 do Código Civil brasileiro que permitisse "a divulgação da imagem e de informações biográficas sobre pessoas de notoriedade pública, personalidades da política e da cultura". Há um acúmulo de casos em que famílias de artistas (ou os próprios) têm ido à Justiça (com sucesso) para impedir a publicação de livros de terceiros que contem suas vidas. Por causa disso, o escritor Ruy Castro chegou a brincar afirmando que, no Brasil, "o biografado ideal tem que ser órfão, solteirão, filho único, estéril e brocha". O projeto foi arquivado apesar do parecer favorável do relator da matéria, o então deputado José Eduardo Martins Cardozo (hoje também ministro), para quem a modificação na lei se justificava para "melhor ponderar situações de conflito que ocorrem cotidianamente entre o direito à imagem e à privacidade de um lado e o direito à liberdade de informação e ao acesso à cultura". Em 2009, em entrevista ao Estado, Palocci demonstrava confiança em que, com o parecer do relator, o projeto seria apreciado em breve no plenário. "Já está na pauta da Comissão de Constituição Justiça e Cidadania da Câmara, como parecer favorável do relator José Eduardo Cardozo e em regime conclusivo. Ou seja, não precisará ir a plenário. Se aprovada, vai ao Senado e, sendo aprovado lá na Comissão similar, segue imediatamente para a sanção do presidente da República. Há boas chances de ser aprovado nas duas casas, em prazo razoável". Segundo Palocci, sua grande preocupação era com o risco que o gênero e a sociedade correm de ver histórias fundamentais simplesmente se perderem. "Penso que é fundamental para a sociedade conhecer sua história. As biografias de pessoas de interesse público têm um papel muito importante nesse sentido. Afinal, a soma de cada uma das histórias dessas personagens, inclusive com suas diferentes e quase sempre visões conflitantes de mundo e dos fatos em si narrados, é que escreve a história de um povo e de uma nação." Nos últimos anos, diversos autores perderam ações na Justiça e viram seus livros serem recolhidos nas livrarias. Outros vivem sob a ameaça de perderem os investimentos de tempo e recursos em trabalhos que podem não se concretizar. É o caso, por exemplo, de Edmundo Oliveira Leite Júnior, que escreve biografia sobre Raul Seixas e, também em 2009, recebeu o seguinte telegrama de Kika Seixas (quarta das cinco ex-mulheres de Raul): "Caso o senhor insista na realização irregular de tal biografia, serão tomadas as medidas judiciais cabíveis". "O interesse na realização da biografia de uma pessoa determinada não surge por acaso. Existe porque essa pessoa adquiriu certa notoriedade, porque suas atitudes durante a vida foram capazes de influenciar um grande número de indivíduos ou até mesmo modificar a política, a economia ou os costumes de uma época", diz o parecer do relator.

PARABÉNS DOM MANUEL

Bispo recusa comenda
Bispo recusa comenda e impõe constrangimento ao Senado Federal.Num plenário esvaziado, apenas com alguns parlamentares, parentes e amigos do homenageado, o bispo cearense de Limoeiro do Norte, dom Manuel Edmilson Cruz impôs um espetacular constrangimento ao Senado Federal, ontem. Dom Manuel chegou a receber a placa de referência da Comenda dos Direitos Humanos Dom Hélder Câmara, das mãos do senador Inácio Arruda (PCdoB/CE). Mas, ao discursar, ele recusou a homenagem em protesto ao reajuste de 61,8% concedidos pelos próprios deputados e senadores aos seus salários. “A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi dom Hélder Câmara. Desfigura-a, porém. De seguro, sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la”. O público aplaudiu a decisão. O bispo destacou que a realidade da população mais carente, obrigada a enfrentar filas nos hospitais da rede pública, contrasta com a confortável situação salarial dos parlamentares. E acrescentou que o aumento “é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão contribuinte para bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho”.

VIXE

Surge o Partido Militar Brasileiro, "100% democrático" “Nós vamos invadir o Congresso”, afirma o capitão da Polícia Militar de Ourinhos (SP), Augusto Rosa. Mas antes que alguém se assuste com uma nova investida da caserna no Parlamento, ele completa: “Pela via democrática. Pelo sufrágio universal”. O capitão Augusto é o idealizador do Partido Militar Brasileiro, o PMB. No último dia 29 de janeiro foi realizada a convenção nacional do partido, que já tem estatuto aprovado e mais de 5 mil pré-filiados nos 27 Estados do Brasil – a Constituição exige pelo menos 101 membros-fundadores em nove Estados. O próximo passo para oficialização é, segundo o Capitão Augusto, levar a documentação à Brasília, onde ele aterrissa neste domingo, 6 de fevereiro, para publicar no Diário Oficial a demanda. Na segunda-feira ele faz o requerimento ao Tribunal Superior Eleitoral e o registro no cartório de notas. “Onde existe o caos, é o militar que dá jeito”, afirma o capitão, exortando sua categoria. Ele lembra que a instituição militar – que inclui os policiais, bombeiros, a Aeronáutica, Exército e Marinha – é das mais bem vistas pelo povo, segundo pesquisas. “Num país eminentemente cristão, nós somos considerados mais confiáveis que a Igreja Católica!”, exclama. A ideia da criação de um partido militar começou a ser acalentada pelo capitão após algumas tentativas de candidatura como suplente de deputado estadual. Em 2003 então juntou simpatizantes e foi estudar como se cria um partido. Oito anos depois, a ideia deu certo. “Somos mais de 1 milhão no Brasil – e em todos os mais de 5 mil municípios”, conta o capitão Augusto sobre a presença militar no País. O partido já tem diretórios organizados nas 27 unidades da Federação. E, dentro do partido, a tão importante hierarquia militar é deixada um pouco de lado. “Tem soldado que é presidente de diretório e general que é assessor dele”, afirma. E se diz surpreendido ainda pelo fato dos militares proveninentes das Forças Armadas terem aderido à sua ideia. Segundo o capitão 70% dos pré-filiados são dessa carreira. IdeologiaQuestionado sobre a orientação do PMB, capitão Augusto não vacila: centro-direita. E a principal bandeira é, naturalmente, a segurança. A soberania da Amazônia e a garantia do ‘cidadão de bem’ – “aquele que não comete crimes, respeita o outro e o patrimônio alheio”- são os temas em que o PMB pretende concentrar esforços. “Essas progressões de pena, os indultos sem critério nos presídios, isso é um absurdo!”, diz o militar. “Os direitos humanos tem que ser garantidos principalmente pras pessoas de bem”. Mas o capitão Augusto lembra também que os presos têm seus direitos. “Se cometeu o crime, tem que cumprir a pena, sim. E a pena tem que ser vista não só como ressocialização do preso, mas como castigo. Mas o preso, que perdeu seu maior direito, a liberdade, não pode perder também a dignidade.” A situação dos presídios abarrotados, em que os detentos “são tratados como animais”, é uma das questões a ser atacada pelo PMB. E o que o PMB pensa sobre o período marcante da ditadura militar? “Somos contra. Abominamos o período. Seria covardia vincular a ditadura conosco. Se você for ver, são 500 anos de serviços prestados ao Brasil. A ditadura foi só 20 anos.” Capitão Augusto é favorável a uma ampla investigação sobre o período do regime, que esclarecesse o que aconteceu “dos dois lados”. “A gente quer emprestar nosso patriotismo, nossa ordem ao povo. Ele é quem. Por que o preconceito com um partido militar?”. O PMB pretende lançar candidaturas nas eleições municipais de 2012 e 2014. No estatuto está proibida a coligação com partidos maiores, “porque queremos marcar diferença pela retidão,diferente de partidos pequenos que se vendem”, explica o capitão Augusto. Mas, quando enfim for homologada a criação do primeiro partido militar brasileiro, o capitão e fundador vai se desfiliar. É que a Constituição impede que militares na ativa sejam filiados e eleitos.”Isso é um absurdo. Qualque cidadão de qualquer categoria pode se filiar e candidatar. Menos o militar”, reclama. A revisão dessa lei é um dos objetivos do PMB – que vai contar entre os filiados registrados no TSE apenas militares da reserva. José Orenstein

REVISTA LEGAL

Revista Cinema Caipira de Fevereiro A Revista Cinema Caipira ISSN 1984-896X do mês de fevereiro já está disponível para encomenda no valor de R$7,00 , ou para download gratuito da versão online para leitura no computador ou na versão pdf para própria impressão (conferir links no final da mensagem). A revista é editada mensalmente pelo grupo Kino-Olho em Rio Claro com participação de acadêmicos e pesquisadores da área. Neste mês tivemos a contribuição da pesquisadora Natália Barenha relacionando a literatura com o cinema, na mesma linha de pesquisa Linda Catarina Gualda nos escreve sobre outra adaptação. O filósofo Daniel Mittman mergulha sobre o Bandido da Luz Vermelha de Sganzerla e o chamada Cinema Marginal. Tivemos a contribuição dos companheiros originais do Movimento NOVOCINEMANOVO da Bahia e a colaboração estrangeira do pesquisador espanhol Miguel Blasco analisando A Origem. Além destes tivemos também o breve artigo " Não existem profetas" analisando o trabalho do jovem e promissor cineasta rioclarense Leonardo Bruno. Sumário e informações abaixo. Os autores destes artigos devem responder este e-mail com seus endereços para envio de uma revista como cortesia... “A PÁGINA E A TELA”de Natalia Barenha“BROKEN BLOSSOMS (1919): UM AMOR IMPOSSÍVEL”de Linda Catarina Gualda“Bandido da Luz Vermelha; um faroeste alegórico na estética urbana do Terceiro Mundo ou simplesmente pequenos comentários”de Daniel Mittmann“NÃO É SÓ A CÂMERA NA MÃO”de Tau Tourinho, Lucas Virgolino e Gabriel Lopes Pontes (Movimento Novocinemanovo)“CINE NUEVO Y CINE MODERNO” de Miguel Blasco“NÃO EXISTEM PROFETAS”de JP Miranda Maria Versão on line para leitura no computador http://www.readoz.com/publication/read?i=1033824#page1Versão PDF para impressãohttp://www.4shared.com/document/ZziX1Kpg/revista_impressa_fevereiro.html OBs: Os interessados em comprar a revista e receber por correio basta responder este e-mail para ter orientações sobre as formas de pagamento.

HIP HOP

Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/noticias/parlamentos-6/camara:-primeiros-projetos-de-lei-da-nova-legislatura-sao-do-pt-41571.html Hip Hop O projeto de lei (PL 3/2011) declara o Movimento Hip Hop manifestação de cultura popular de alcance nacional. Para o deputado Weliton Prado, a iniciativa tem por objetivo inserir os jovens desse movimento, que hoje se manifesta nas mais diversas classes sociais, como agentes promotores da cultura popular. "O país enfrenta um grande problema de envolvimento dos jovens com drogas e criminalidade. Queremos que o movimento Hip Hop tenha a mesma atenção de todas as outras expressões culturais e, com isso, ser uma importante frente no combate às drogas e à violência", ressaltou Weliton Prado. As três matérias aguardam deliberação da Mesa Diretora sobre as comissões de mérito que vão analisá-las.
Vivian Guilherme Grupo Auê - sec. música Festival Rock Feminino JOG Music - assessoria de comunicação (19) 9131-1489

MOVIMENTOS SOCIAIS EM MOVIMENTO

Quando as empresas preferem os ditadores à democracia O Egito foi o segundo grande receptor de ajuda externa dos Estados Unidos durante décadas, depois de Israel (sem contar os fundos gastos nas guerras e ocupações do Iraque e Afeganistão). O regime de Mubarak recebeu cerca de 2 bilhões de dólares ao ano desde que assumiu o poder, em sua imensa maioria para as forças armadas. Onde foi parar esse dinheiro? Em geral, foi para empresas estadunidenses. O dinheiro vai para o Egito e logo volta para pagar aviões F-16, tanques M-1, motores de aviões, mísseis, pistolas e latas de gás lacrimogêneo. O artigo é de Amy Goodman. Amy Goodman – Democracy Now! “As pessoas levavam um cartaz que dizia ‘Para: Estados Unidos. De: Povo egípcio. Deixem de apoiar Mubarak. Ele acabou!” – dizia o twitter de meu valente colega e produtor em chefe de Democracy Now! Sharif Abdel Kouddous, desde as ruas do Cairo.Mais de dois milhões de pessoas se manifestaram naquele dia em todo o Egito: a maioria delas inundaram a praça Tahrir, no Cairo. Tahrir, que significa “libertação” em árabe, se converteu no epicentro do que parece ser uma revolução em grande medida pacífica, espontânea e sem líderes no país mais povoado do Oriente Médio. Este incrível levante que desafio o toque de recolher militar, foi conduzido pelos jovens, que constituem a maior parte dos 80 milhões de habitantes do país. Twitter, Facebook e as mensagens de texto de telefones celulares ajudaram esta nova geração a vincular-se e organizar-se, apesar de viver há três décadas em uma ditadura apoiada pelos Estados Unidos. Em resposta, o regime de Mubarak, com a ajuda de empresas estadunidenses e europeias, cortou o acesso à Internet e restringiu o serviço de telefonia celular, deixando o Egito em uma situação de obscuridade digital. C.W. Anderson comentou a respeito de se o que estava ocorrendo no Oriente Médio era uma espécie de revolução do Twitter: “não é a tecnologia, mas sim as pessoas que fazem a revolução”.As pessoas nas ruas exigem democracia e autodeterminação. Sharif viajou para o Egito à noite, em um terreno incerto. As odiadas forças de segurança do Ministério do Interior e a polícia de camisas negras leais ao presidente Hosni Mubarak estavam reprimindo e matando gente, prendendo jornalistas, quebrando e confiscando câmeras. No sábado pela manhã, Sharif se dirigiu à praça Tahrir. Apesar do bloqueio da internet e das mensagens de texto, Sharif, talentoso jornalista e gênio da tecnologia, achou rapidamente uma maneira de publicar mensagens no twitter desde a praça Tahrir: “Que cena assombrosa: estão passando três tanques carregados de gente que grita “Fora Hosni Mubarak!”.O Egito foi o segundo grande receptor de ajuda externa dos Estados Unidos durante décadas, depois de Israel (sem contar os fundos gastos nas guerras e ocupações do Iraque e Afeganistão). O regime de Mubarak recebeu cerca de 2 bilhões de dólares ao ano desde que assumiu o poder, em sua imensa maioria para as forças armadas. Onde foi parar esse dinheiro? Em geral, foi para empresas estadunidenses. Pedi a William Hartung, da New America Foundation, que explicasse isso:“É uma forma de bem estar empresarial para empresas como Lockheed Martin e General Dynamics, porque o dinheiro vai para o Egito e logo volta para pagar aviões F-16, tanques M-1, motores de aviões, todo tipo de mísseis, pistolas, latas de gás lacrimogêneo de uma empresa chamada Combined Systems International, cujo nome figura nas latas achadas nas ruas do Egito”.Hartung acaba de publicar um livro, “Os profetas da guerra: Lockheed Martin e a criação do complexo militar industrial”. Continuou dizendo:“Lockheed Martin encabeçou acordos de 3,8 bilhões de dólares nestes últimos dez anos; a General Dynamics de 2,5 bilhões para tanques; a Boeing de 1,7 bilhões para mísseis e helicópteros e a Raytheon para todo tipo de mísseis para as forças armadas. Então, basicamente este é um elemento fundamental destinado a manter o regime, mas grande parte do dinheiro se recicla. Os contribuintes poderiam simplesmente dar o dinheiro diretamente para a Lockheed Martin ou a General Dynamics”.De maneira similar, a “chave geral” para bloquear a Internet e os telefones celulares no Egito foi ativada com a colaboração de empresas. A empresa Vodafone (gigante mundial da telefonia celular, proprietária de 45% das ações da Verizon Wireless nos Estados Unidos), com sede na Inglaterra, tentou justificar-se em um comunicado de imprensa: “Estava claro que Vodafone não tinha opções legais nem práticas, mas sim que devia satisfazer as exigências das autoridades”.Narus, uma subsidiária da Boeing Corporation, vendeu equipamentos ao Egito para permitir uma “inspeção profunda de pacote” (DPI, em sua sigla em inglês), segundo Tim Karr, do grupo de política de mídia Free Press. Karr disse que a tecnologia da Narus “permite às empresas egípcias de telecomunicações ver as mensagens de texto dos telefones celulares e identificar o tipo de vozes dissidentes que existem. Também fornece ferramentas tecnológicas para localizar essas mensagens geograficamente e rastreá-las”.Mubarak prometeu não se apresentar como candidato à reeleição em setembro. Mas o povo do Egito exige que ele saia agora. Como durou 30 anos? Talvez isso possa ser explicado melhor quando consideramos uma advertência feita por um general do exército dos EUA há 50 anos, o presidente Dwight D. Eisenhower, que disse: “Devemos tratar de evitar que o complexo militar-industrial adquira influência injustificada, seja ela buscada ou não”. Esse complexo mortal não é um perigo apenas para a democracia em nível nacional, mas também quando apoia déspotas no estrangeiro.Tradução: Katarina Peixoto