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sábado, 3 de julho de 2010

PUNIÇÂO AOS TORTURADORES E ASSASSINOS DO GOLPE DE 64

Ficha limpa da ditadura A anistia decretada pela ditadura tentou limpar tudo, igualar tudo – torturadores e torturados. A forma como se deu a transição da ditadura à democracia permitiu que políticos que estiveram vinculados à ditadura, aparecessem como convertidos à democracia. Porém nunca esqueceremos que o golpe militar rompeu o processo democrático brasileiro, depôs um presidente que havia sido eleito vice-presidente, tinha assumido a presidência com a renúncia de quem tinha sido eleito para este posto, aceitando inclusive recortar seus poderes, com a imposição do parlamentarismo. Posteriormente, João Goulart convocou um referendo sobre a forma de governo e venceu, democraticamente, o retorno do presidencialismo. Esse presidente, legítimo e legalmente presidente, foi derrubado por um movimento militar golpista, que terminou com a democracia e impôs uma ditadura ao país. Se valeram dos recursos públicos para reprimir ao povo e a tudo o que tivesse que ver com democracia: organizações populares, Parlamento, Judiciário, partidos, movimentos culturais, imprensa popular. Contaram com o apoio e o beneplácito da imprensa, do governo dos EUA, de boa parte da elite política, do grande empresariado e suas associações. Prenderam arbitrariamente, torturaram, assassinaram a milhares de brasileiros, os condenaram sem processos, promoveram um regime do terror. A volta à democracia foi tutelada pelos próprios militares que haviam dado o golpe e imposto a ditadura. Decretaram uma anistia que os poupasse de pagar pelos crimes que tinham cometido, assim como seus beneficiários – que se enriqueceram com o arrocho salarial, a intervenção nos sindicatos, a política econômica favorável aos grandes monopólios daqui e de fora. Está bem o Ficha Limpa da corrupção. Mas por que não o Ficha Limpa da ditadura? Por que não impugnar todos os que participaram da ditadura, a apoiaram, se beneficiaram dela, foram políticos do regime, ocuparam cargos, foram governadores, prefeitos biônicos? Todos foram cúmplices, por ação ou por inação do episódio mais brutal da vida política brasileira. Muitos deles ainda andam por ai. Façamos uma lista dos que foram políticos da ditadura e impunemente andam por ai, querendo definir quem é democrático e quem não é, quando eles foram, de corpo e alma, adeptos da ditadura e nunca fizeram autocrítica do seu passado. Só para começar, me recordo de alguns deles: Marco Maciel José Sarney José Agripino Jorge Bornhausen Romeu Tuma Paulo Maluf Extraído: http://ow.ly/26GA5 .

BRECHT EM NOVA EDIÇÃO

Trabalho de Brecht ganha nova edição Será lançada no dia 3 de julho, sábado, às 19 horas, no Estúdio do Latão, a nova edição do livro "Trabalho de Brecht", de José Antonio Pasta, professor de literatura brasileira da USP, pela Editora 34. A comemoração contará com a participação dos grupos teatrais Companhia do Latão, Companhia do Feijão, Teatro de Narradores, Companhia Ocamorana e Grupo Folias D’arte. Na ocasião, haverá um coquetel e fala do autor sobre a obra. Lançado originalmente em 1985, "Trabalho de Brecht" é considerado um dos mais importantes estudos sobre o autor alemão publicados em português. Redação Lançado originalmente em 1985, "Trabalho de Brecht" é dos mais importantes estudos sobre o autor alemão publicados em português. Escrito como dissertação de mestrado, o livro discute as várias dimensões e sentidos do projeto clássico de Brecht. A primeira edição, esgotada há muitos anos, influenciou a pesquisa artística de muitos grupos teatrais de São Paulo, que participam agora da homenagem ao autor. A obra passa a integrar a mais respeitada coleção da editora, a Espírito Crítico. Em "Trabalho de Brecht: breve introdução ao estudo de uma classicidade contemporânea", José Antonio Pasta estuda a produção da obra madura de Brecht em seu contexto contemporâneo. Não começa pelas primícias do autor mas, sim, pelos momentos decisivos em que a experiência literária do jovem escritor alemão chega a seus embates frontais com a indústria cultural — isto é, com a forma-mercadoria, com o nazismo, o exílio e a guerra. Da experiência dessa situação extrema vê-se então emergir, na obra de Brecht, um projeto estético e político que, da perspectiva deste estudo, terá como fio condutor a constituição de uma classicidade contemporânea, estratégica e de combate. Tal projeto supõe, da parte de Brecht, um acerto de contas radical com o destino da Alemanha e sua herança cultural, e, no limite, com a própria modernidade, considerada em seus pressupostos e promessas. Nesse sentido, a análise de José Antonio Pasta se orienta pela leitura de Marx feita por Brecht, assim como sua retomada das bases hegelianas da dialética. O AUTOR É PROFESSOR DA USP José Antonio Pasta é mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada e doutor em Literatura Brasileira pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Realizou estágio pós-doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris em 1995/1996. Desde 1984 é professor de Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas das USP. Foi também professor-associado na Universidade de Paris III — Sorbonne Nouvelle, em 2001/2002. ESTÚDIO DO LATÃO Rua Harmonia, 931 (próximo ao metro Vila Madalena) Dia 03 de julho às 19 horas Informações: 38141905 Extraído: http://ow.ly/26Goy .

ELEIÇÕES 2010

A natureza política do caos na campanha de Serra Os problemas envolvendo a composição da chapa de José Serra não se resumem à biografia política do deputado Índio da Costa. Não se trata exatamente de ausência de programa. Serra e o PSDB têm um programa político e ele pode ser visto na maneira como governam estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. No entanto, diante do êxito das políticas do governo Lula, interna e externamente, e da comparação com o que foi feito no governo FHC, Serra ficou sem espaço. A necessidade de esconder a agenda do PSDB e de inventar um discurso é uma das causas políticas reais das incríveis confusões da candidatura tucana. Editorial - Carta Maior Do jeito que a coisa vai, a candidatura de José Serra (PSDB) à presidência da República não precisa de adversários. O fogo amigo, as indecisões e trapalhadas que se avolumaram nos últimos dias estão atingindo a fronteira do surreal. O episódio da escolha do vice na chapa de Serra já ingressou nas páginas do anedotário da política nacional. Quem achava que já tinha visto tudo com as reações iradas de aliados de Serra contra a escolha de Álvaro Dias (PSDB-PR) deve ter ficado sem ar nesta quarta-feira com o anúncio de que o deputado paranaense não seria mais o candidato a vice, mas sim o deputado Índio da Costa (DEM-RJ). Quem? – foi uma pergunta muito repetida logo após o anúncio do nome. Logo começaram a surgir informações sobre o vice de Serra. E, nova surpresa, as mais duras críticas vieram da vereadora Andréa Gouvêa Vieira (PSDB-RJ), que detonou a indicação do deputado do DEM para a chapa presidencial de Serra. Ex-colega de Índio da Costa na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Andréa Gouvêa resumiu: escolheram um “ficha suja” para ser vice de Serra. A vereadora foi relatora de uma CPI na Câmara do Rio que investigou irregularidades nos contratos de merenda escolar na cidade na época em que Índio ocupou a Secretaria de Administração (2001-2006). No relatório da CPI, Andréa Gouvêa apontou indícios de formação de cartel e de direcionamento de licitação e pediu a quebra do sigilo fiscal dos envolvidos ao Ministério Público Estadual. “O que eu penso do candidato Índio da Costa está refletido neste relatório da CPI. Houve direcionamento no resultado da merenda escolar. A conduta dele não é uma conduta de Ficha Limpa”. Leia a matéria na Integra aqui: http://ow.ly/26Gix .

LAMBANÇA TUCANA NA CULTURA EM SPP

FIM DAS OFICINAS CULTURAIS É BOATO! Segundo informações passadas pelo Coordenador das Oficinas Culturais Carlos Gomes de Limeira "Sr. Robson Trento, a qual é Coordenada pela ASSAOC, o fim das Oficinas Culturais no Estado de São Paulo não passou de boato. Segundo informações as Oficinas Culturais passarão por reformulações. Apesar de dar ênfase à Oficina Cultural Oswald de Andrade, o secretário Matarazzo diz que a notícia do fechamento das Oficinas Culturais, não passa de um simples boato, declarando que o engano ocorreu pelo fato de estarem avaliando o trabalho realizado pela ASSOC. Achei esta reportagem da CBN, onde ele alega que em uma das Oficinas do interior, deveriam ser realizadas 1.655 atividades até o final do ano, que seria a meta esperada, mas até agora, no fechamento do trimestre, foram realizadas apenas 3 atividades... O que também é um BOATO! Leia mais e ouça o Secretário de Cultura do Estado aqui: http://ow.ly/26Gat .

CADERNOS DE SARAMAGO

"Publicarei sempre que possível um texto do mestre do realismo fantastico na literatura, o prêmio Nobel e comunista José Saramago. Os textos quase todos crônicas, são originalmente do blog do escritor, http://caderno.josesaramago.org/ ." Baltasar Garzón O juiz Baltasar Garzón deixou em Lisboa uma lição do que é ou deve ser o Direito. A verdade é que, em sentido estrito, do que se falou no acto organizado pela Fundação foi de Justiça. E de sentido comum: dos delitos que não podem ficar impunes, das vítimas a quem tem de ser dada satisfação, dos tribunais que têm de levantar alcatifas para ver o que há por baixo do horror. Porque muitas vezes, por baixo do horror, há interesses económicos, delitos claramente identificados perpetrados por pessoas e grupos concretos que não podem ser ignorados em Estados que se proclaman de direito. Quem sabe se os responsáveis dos crimes contra a humanidade, que de outra forma não posso chamar a esta crise financeira e económica internacional, não acabarão processados, como o foram Pinochet ou Videla ou outros ditadores terríveis que tanta dor espalharam? Quem sabe? O juiz Baltasar Garzón fez-nos compreender a importância de não cair na vileza uma vez para não ficar para sempre vil. Quem conculca uma vez os direitos humanos, em Guantánamo, por exemplo, atira pela borda fora anos de direito e de legalidade. Não se pode ser cúmplice do caos internacional com que a administração Bush infectou meio mundo. Nem os governos, nem os cidadãos. Um auditório multitudinário e atento seguiu as intervenções do juiz com respeito e consideração. E aplaudiu como quem ouve não verdades reveladas, mas sim a voz efectiva de que o mundo necessita para não cair em na permissividade da abjecção. A Fundação está contente: fizemos o que pudemos para recordar que há uma Declaração de Direitos Humanos, que estes não são respeitados e que os cidadãos têm de exigir que não se tornem em letra morta. Baltasar Garzón cumpriu a sua parte e tê-lo posto a claro esta tarde em Lisboa só pode fazer com que nos felicitemos. In O Caderno de Saramago, publicado a 12 de Dezembro de 2008

ABILIO MANOEL. PRESENTE

"...choram a morte do seu cantor..."
Só hoje fiquei sabendo que o cantor e compositor Abílio Manoel, português de nascimento radicado no Brasil, faleceu na terça-feira, aos 63 anos. Teve um enfarte enquanto assistia ao jogo Espanha e Portugal, vestindo a camiseta do seu país natal. Tive contato com ele pela Internet em 2004, no mesmo grupo de discussão onde também conheci Zé Rodrix e outros notáveis. Abílio ficou pouco tempo naquele fórum, mas suficiente para me satisfazer uma curiosidade: quem era a "Andréa" da música que fez sucesso bem na época em que comecei a ouvir música pra valer, em 1971? "Conheci-a nos anos 70 quando morei no México. Morenaça ao estilo latino-fatal", ele respondeu. Outra de suas revelações foi que o título de um de seus maiores sucessos, "Pena Verde", nasceu da expressão que as televisões usavam muito antes das reprises das novelas da Globo, no slide que exibiam enquanto rebobinavam o vídeo-tape para repetir um lance: "vale a pena ver de novo". Abílio Manoel fazia o gênero do cantor popular. Por isso, estranhei quando, em 1974, a Rádio Continental de Porto Alegre começou a tocar "Andina". A Continental era uma rádio alternativa, que não rodava nada que pudesse ser remotamente tachado de brega. Mas o diretor de programação, Marcus Aurélio Wesendonk, tinha consciência política e era muito atento às letras. Ele viria a programar duas músicas de Luiz Ayrão pelas mensagens nas entrelinhas e com "Andina" não foi diferente. Abílio a descreveu como "uma tentativa de promover uma identidade latino-americana no tempo da censura brava". Confiram os versos: "As morenas da cordilheira /as moradas do vale em flor / choram a morte do seu cantor / e é por isso que por todo o lado / há uma porta aberta e um corredor / toda a casa é bem ajeitada / que é pra chegada de outro cantor". Seria uma referência ao cantor Victor Jara, torturado e fuzilado pela ditadura chilena no golpe de 1973? . Extraído: http://ow.ly/26Fqp .

COPIANDO E REPASSANDO

"Esta secção, tem como objetivo socializar através da leitura dos posts uma obra literária de vulto. Todo dia será postado um texto do livro a ser abordado. Quem tiver sugestões e queira colaborar, envie nome das obras ou as mesmas para este exercício de compartilhar arquivos e conhecidos. Endereço Eletrônico: revupoeta@yahoo.com.br ou revupoeta@gmail.com “.
A OBRA
O segundo livro desta secção é 111 AiS, do escritor Curitibano Dalton Trevisan. Trata-se de mais uma colêtanea de textos, micro contos, retirados de obras do autor: Ah é?, 234, e pico na veia. Dono de textos que em sua maioria tratam do cotidiano e de sua bela cidade natal, Dalton Trevisan, tem no curriculo obras do calibre de: Morte na Praça (1964), Cemitério de Elefantes (1964) e O Vampiro de Curitiba (1965), seu livro mais famoso.
TEXTO 78. III Da minha vida não sei. O que será e tal. Periga pintar cadeia? Serve de exemplo pra mim. Ou de maior maldade. É o que vier. Aí um cara faz o mesmo? Garra uma de minha irmã, usou ela? No dia que eu encaro o tipo, fatal. Não falo pra ninguém, não. Vou e mato bem morto. Certo? Aí volto pra rua e tal. E fico zoando. Uma moça? Foi, sim. Teve essa fita. Andando num caminho sem gente, trombei com ela. Muito pirado. Aí, aconteceu. Se estava de barriga? Não fiquei lá pra saber.